Não me entenda mal, não quero desmerecer a luta legítima e necessária contra o racismo, mas precisamos falar sobre como alguns militantes do movimento negro estão farejando o racismo e prestes a ver problema até em um pedaço de papel higiênico comprado na promoção em um supermercado popular.
A paranoia é uma constante no nosso dia a dia. E, ultimamente, ela tem se manifestado com força nas redes sociais e nas rodas de discussão de justiça social. Não é raro encontrarmos pessoas que acreditam piamente que termos como “criado mudo”, “denegrir” e “buraco negro” são manifestações do racismo estrutural. Claro, é importante lembrar que o racismo é um problema sério que precisa ser enfrentado, mas será que não estamos indo longe demais?
Vejamos o caso do “criado mudo”. Há quem defenda que o simples ato de chamar um móvel de “criado mudo” é um exemplo de como a sociedade perpetua estereótipos racistas. Dizem que a expressão implica que negros estão aí apenas para servir, e que isso é inaceitável. Me pergunto se o nome do objeto seria menos ofensivo se fosse “mesa de cabeceira”. Será que teríamos menos “culpa” em chamar o móvel de “mesa de cabeceira”? É um mistério.
E o “denegrir”? Parece que a paranoia não para. Dizer que alguém está “denegrindo” algo é agora considerado um ato racista. Mas a raiz da palavra não tem nada a ver com cor de pele. Vem do latim “denigrare”, que significa “tornar negro, escurecer”. Isso não tem nada a ver com pessoas negras.
E, por fim, o “buraco negro”. Como ousamos chamar esse fenômeno cósmico de “buraco negro”? Alguns argumentam que é uma forma de desrespeito à identidade das pessoas negras. Afinal, um buraco negro é uma região do espaço onde a gravidade é tão intensa que nada pode escapar, nem mesmo a luz. Mas será que alguém realmente acredita que os cientistas que deram nome a esse fenômeno estavam pensando em raça quando o fizeram? Desculpa, mas eu duvido muito.
Enquanto alguns se perdem em debates sobre semântica e palavras do cotidiano, a verdadeira luta contra o racismo fica em segundo plano. É essencial lembrar que a discriminação racial é um problema sério que precisa ser combatido com vigor. No entanto, desperdiçar energia discutindo o nome de um móvel ou uma expressão popular só desvia o foco do que realmente importa.
Vamos direcionar nossa energia para combater as injustiças reais e não nos perder em batalhas sem sentido. E, quem sabe, assim poderemos construir um mundo onde a paranoia seja substituída pela compreensão e pela verdadeira igualdade.
Ilustração por Willian Santiago “Kalemba”









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