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Como o valor cobrado define se a prostituta foi explorada ou não

Virginie Despentes desafia a dicotomia entre empoderamento e vitimização na transação do corpo.

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A prostituição, aquele eterno dilema entre moralidade e sobrevivência, sempre foi a zona cinzenta predileta para debates inflamados. De um lado, o moralista de plantão brada sobre os perigos de vender o corpo, como se ninguém alugasse suas mentes e almas a corporações insossas de segunda a sexta. Do outro, as feministas radicais tentam decidir se devem salvar as prostitutas ou execrá-las por reforçarem o patriarcado. No meio disso, surge Virginie Despentes, com o seu “Teoria King Kong”, para chacoalhar as certezas e jogar sal nas feridas do pensamento politicamente correto.

Despentes não se contenta com respostas fáceis. A sua provocação é clara: tudo depende do preço. Se uma mulher cobra 80 reais por um programa, ela é indiscutivelmente explorada – a própria imagem da desigualdade cravada em nossa retina. Mas e se ela cobra 80 mil reais? Quem tem a ousadia de chamar isso de exploração? Não é curioso como a matemática desestabiliza ideologias? O que é exploração, afinal? Uma injustiça inquestionável ou uma questão de faixa de preço?

O simples fato de o valor transformar a narrativa deveria deixar qualquer feminista radical tonta. A prostituição de luxo faz ruir o argumento de que o problema é a “venda do corpo”. Se o corpo é vendido, mas a etiqueta exibe um valor com muitos zeros, subitamente ele deixa de ser um ato de desespero e passa a ser uma escolha sofisticada. Aqui, a exploração vira empoderamento, o trauma vira luxo, e as fronteiras entre vítima e dona do próprio nariz começam a borrar.

No entanto, há algo de profundamente incômodo nessa mudança de perspectiva. Afinal, qual é o crime? Vender sexo ou não saber negociá-lo? Se a prostituta de esquina é explorada porque cobra pouco, será que não estamos simplesmente projetando no preço a nossa própria hipocrisia? É fácil condenar a mulher que cobra 80 reais enquanto aplaudimos a acompanhante de luxo que embolsa fortunas. Talvez o que incomode não seja o ato de vender o corpo, mas a lembrança brutal de que, no fundo, todos nós somos mercadorias no grande bazar da existência – uns mais valorizados que outros.

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A prostituição, aquele eterno dilema entre moralidade e sobrevivência, sempre foi a zona cinzenta predileta para debates inflamados. De um lado, o moralista de plantão brada sobre os perigos de vender o corpo, como se ninguém alugasse suas mentes e almas a corporações insossas de segunda a sexta. Do outro, as feministas radicais tentam decidir se devem salvar as prostitutas ou execrá-las por reforçarem o patriarcado. No meio disso, surge Virginie Despentes, com o seu “Teoria King Kong”, para chacoalhar as certezas e jogar sal nas feridas do pensamento politicamente correto.

Despentes não se contenta com respostas fáceis. A sua provocação é clara: tudo depende do preço. Se uma mulher cobra 80 reais por um programa, ela é indiscutivelmente explorada – a própria imagem da desigualdade cravada em nossa retina. Mas e se ela cobra 80 mil reais? Quem tem a ousadia de chamar isso de exploração? Não é curioso como a matemática desestabiliza ideologias? O que é exploração, afinal? Uma injustiça inquestionável ou uma questão de faixa de preço?

O simples fato de o valor transformar a narrativa deveria deixar qualquer feminista radical tonta. A prostituição de luxo faz ruir o argumento de que o problema é a “venda do corpo”. Se o corpo é vendido, mas a etiqueta exibe um valor com muitos zeros, subitamente ele deixa de ser um ato de desespero e passa a ser uma escolha sofisticada. Aqui, a exploração vira empoderamento, o trauma vira luxo, e as fronteiras entre vítima e dona do próprio nariz começam a borrar.

No entanto, há algo de profundamente incômodo nessa mudança de perspectiva. Afinal, qual é o crime? Vender sexo ou não saber negociá-lo? Se a prostituta de esquina é explorada porque cobra pouco, será que não estamos simplesmente projetando no preço a nossa própria hipocrisia? É fácil condenar a mulher que cobra 80 reais enquanto aplaudimos a acompanhante de luxo que embolsa fortunas. Talvez o que incomode não seja o ato de vender o corpo, mas a lembrança brutal de que, no fundo, todos nós somos mercadorias no grande bazar da existência – uns mais valorizados que outros.

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