Após se formar na Academia de Cinema de Amsterdã, o cineasta Sam de Jong lançou seu primeiro curta-metragem, Marc Jacobs. Produzido pela 100% Halal em parceria com a Vice — os mesmos nomes por trás de seu longa de estreia, Prince —, o curta abriu a mostra Geração 14+ na Berlinale de 2015, revelando de imediato um olhar autoral e promissor.
O filme se inicia com uma dúvida que beira o existencial: será melhor ostentar um par de óculos Marc Jacobs ou seguir com os clássicos Ray-Ban? Essa questão, aparentemente banal, é levantada por Soufyane, um menino de nove anos que navega entre dois mundos — a moradia instável da mãe e a promessa de férias com o pai ausente no Marrocos.
Entre becos tranquilos de Amsterdã e brincadeiras com os amigos, Soufyane desfila com orgulho seu olho roxo e cospe sementes de papoula como quem demarca território. As ruas que atravessa são feitas de luzes de laser, silêncios suburbanos e sonhos de um sol marroquino filtrado por lentes escuras.
A obsessão pelos óculos de grife revela algo mais profundo: a procura pelo pai ausente, pela virilidade, pela saída simbólica da infância. O menino treina abdominais solitários em um quarto ainda decorado com vestígios da infância. Em uma cena marcante, mistura um desejo sexual recém-descoberto com uma doçura pueril ao agradecer à mãe por um Tupperware cheio de balas. Tudo isso em segundos — como se seu corpo ainda não soubesse a qual tempo pertence.
Com composições de quadro meticulosas, uma paleta de cores intensa e uma linguagem visual própria, Sam de Jong mostra que sabe esculpir beleza em histórias simples. Marc Jacobs é um retrato delicado e irônico da passagem da infância à masculinidade, envolto em estética pop e sensibilidade urbana. É inevitável esperar com curiosidade seus próximos passos no cinema.









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