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Filme: “Apocalypse Now”, Francis Ford Coppola

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No coração pulsante e febril da Guerra do Vietnã, a um homem é confiada uma missão que é tanto uma sentença de morte quanto uma expedição ao abismo da alma humana. O Capitão Willard, um agente especial cuja psique já foi corroída pelo conflito, é enviado numa viagem clandestina por um rio sinuoso para encontrar e “terminar com extremo preconceito” o Coronel Kurtz. Kurtz não é um desertor comum; ele é uma lenda, um oficial condecorado das Forças Especiais que sucumbiu à sua própria genialidade e à selvageria do ambiente, estabelecendo-se como um semideus enlouquecido no interior do Camboja, adorado por uma tribo de nativos.

O que se desenrola não é um filme de guerra convencional, mas uma odisseia psicadélica e operática. A viagem de Willard no barco de patrulha transforma-se num mergulho cada vez mais profundo na insanidade. Cada parada ao longo do rio revela uma nova faceta do absurdo da guerra: um tenente-coronel obcecado por surf que bombardeia uma vila ao som de Wagner para garantir a onda perfeita; um show de coelhinhas da Playboy que degenera em caos; encontros com a morte que são tão casuais quanto a chuva da monção. A fronteira entre a sanidade e a loucura dissolve-se lentamente, não apenas para Willard, mas para a sua jovem e assustada tripulação, que testemunha o verniz da civilização a ser arrancado camada por camada.

Ao chegar ao seu destino, Willard não encontra um simples monstro, mas a encarnação da própria guerra: um homem brilhante, poético e aterrorizante, que compreendeu o horror de uma forma tão pura que o abraçou. A confrontação final é menos um clímax de ação e mais uma colisão filosófica e existencial. A missão de Willard já não é sobre eliminar um oficial renegado, mas sobre confrontar o espelho do que a guerra faz aos homens e encarar a terrível lucidez que se esconde no centro da escuridão. Coppola não oferece respostas fáceis, apenas uma imersão alucinatória na hipocrisia e na majestade medonha do conflito, deixando o espectador a ponderar quem, afinal, é o verdadeiro louco.

“Apocalypse Now” está disponível no MUBI.

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No coração pulsante e febril da Guerra do Vietnã, a um homem é confiada uma missão que é tanto uma sentença de morte quanto uma expedição ao abismo da alma humana. O Capitão Willard, um agente especial cuja psique já foi corroída pelo conflito, é enviado numa viagem clandestina por um rio sinuoso para encontrar e “terminar com extremo preconceito” o Coronel Kurtz. Kurtz não é um desertor comum; ele é uma lenda, um oficial condecorado das Forças Especiais que sucumbiu à sua própria genialidade e à selvageria do ambiente, estabelecendo-se como um semideus enlouquecido no interior do Camboja, adorado por uma tribo de nativos.

O que se desenrola não é um filme de guerra convencional, mas uma odisseia psicadélica e operática. A viagem de Willard no barco de patrulha transforma-se num mergulho cada vez mais profundo na insanidade. Cada parada ao longo do rio revela uma nova faceta do absurdo da guerra: um tenente-coronel obcecado por surf que bombardeia uma vila ao som de Wagner para garantir a onda perfeita; um show de coelhinhas da Playboy que degenera em caos; encontros com a morte que são tão casuais quanto a chuva da monção. A fronteira entre a sanidade e a loucura dissolve-se lentamente, não apenas para Willard, mas para a sua jovem e assustada tripulação, que testemunha o verniz da civilização a ser arrancado camada por camada.

Ao chegar ao seu destino, Willard não encontra um simples monstro, mas a encarnação da própria guerra: um homem brilhante, poético e aterrorizante, que compreendeu o horror de uma forma tão pura que o abraçou. A confrontação final é menos um clímax de ação e mais uma colisão filosófica e existencial. A missão de Willard já não é sobre eliminar um oficial renegado, mas sobre confrontar o espelho do que a guerra faz aos homens e encarar a terrível lucidez que se esconde no centro da escuridão. Coppola não oferece respostas fáceis, apenas uma imersão alucinatória na hipocrisia e na majestade medonha do conflito, deixando o espectador a ponderar quem, afinal, é o verdadeiro louco.

“Apocalypse Now” está disponível no MUBI.

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