
Em um mergulho vertiginoso nas origens e no destino da própria especulação, Giorgio Agamben nos convida a uma arqueologia radical em “Filosofia Primeira, Filosofia Última”. Este não é apenas um livro sobre filosofia; é uma dissecção implacável da história da metafísica ocidental, um convite a testemunhar o esgotamento de seus paradigmas e a vislumbrar as possibilidades de um pensamento que se atreve a habitar a “lacuna” do impensado.
Agamben parte da “filosofia primeira” – a ontologia aristotélica, a *ousia* – para desenterrar o que foi esquecido, recalcado ou mal compreendido desde Parmênides. Ele revisita a intrincada relação entre potência e ato, entre o ser e o não-ser, revelando como a tradição filosófica ocidental, ao tentar fixar o ser, inadvertidamente lançou as bases para sua própria crise. O autor não apenas reinterpreta, ele *reabre* as feridas originais da metafísica, mostrando como as categorias fundamentais que herdamos – sujeito, objeto, essência, existência – são, em sua raiz, armadilhas que nos impedem de acessar uma forma mais originária e liberada de pensamento.
Mas o que seria a “filosofia última”? Longe de ser um funeral da filosofia, Agamben propõe uma “desativação” de seus conceitos mais arraigados. É o crepúsculo de uma era, o esgotamento dos modelos que regeram nosso modo de pensar por milênios. A “filosofia última” é o lugar onde a filosofia, ao confrontar seus próprios limites e sua inevitável exaustão, pode paradoxalmente se reinventar. Agamben nos impele a pensar para além da metafísica, para além da dicotomia entre presença e ausência, para um campo de possibilidades onde o próprio ato de filosofar se torna uma experiência de libertação, uma abertura para o que ainda não é e o que ainda pode ser.
Com sua erudição característica e uma prosa ao mesmo tempo densa e poética, Agamben subverte as certezas do leitor, forçando-o a questionar a própria validade das estruturas conceituais que moldam sua percepção do mundo. “Filosofia Primeira, Filosofia Última” é uma jornada intelectual desafiadora e, por vezes, perturbadora, que promete não apenas expandir sua compreensão da filosofia, mas fundamentalmente alterar sua forma de pensar sobre o ser, o tempo e o futuro do próprio pensamento. Prepare-se para ter suas categorias de pensamento não apenas questionadas, mas *desativadas*, abrindo espaço para uma nova e urgente modalidade de relação com o conhecimento e a existência.
“Filosofia primeira filosofia última” está à venda no site da Âyiné.








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