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Filme: “Jejum de Amor” (1940), Howard Hawks

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Hildy Johnson, a repórter mais afiada de Chicago, entra na redação do Morning Post com uma única missão: anunciar o fim da sua carreira. No seu braço, o futuro encarnado na figura de Bruce Baldwin, um pacato vendedor de seguros que lhe promete uma vida de tranquilidade doméstica em Albany. Do outro lado da mesa, seu ex-marido e editor, o maquiavélico Walter Burns, não está disposto a perder sua melhor jornalista, nem sua ex-mulher. O que se desenrola não é um simples pedido de demissão, mas o início de uma engenhosa e implacável operação de sabotagem. O pretexto perfeito surge com a notícia do dia: a iminente execução de Earl Williams, um condenado que pode ter sido vítima de um erro judicial. Para Walter, a história é a isca definitiva para fisgar o instinto predador de Hildy.

O que se segue é um balé cínico e eletrizante, confinado majoritariamente à claustrofóbica sala de imprensa do tribunal. Ali, entre telefones que não param de tocar, fumaça de cigarro e um coro de jornalistas rivais, Walter Burns tece sua teia. Ele não apela ao coração de Hildy, mas à sua mente, ao seu talento inegável. Cada obstáculo que ele cria para o noivo de Hildy, cada manobra para mantê-la perto da ação, é um lembrete do mundo que ela alega querer abandonar. Howard Hawks orquestra uma sinfonia de caos verbal, onde as frases se atropelam com a velocidade de uma metralhadora, criando uma textura sonora que é tão crucial quanto a imagem. A performance de Cary Grant como Walter é a de um estrategista charmoso e amoral, enquanto Rosalind Russell constrói uma Hildy que é sua igual em inteligência e ferocidade, uma profissional cuja paixão pelo ofício é a sua maior força e sua maior fraqueza.

Sob a superfície de uma das mais brilhantes comédias já feitas, o filme opera como uma lúcida exploração da vocação. Hildy tenta se convencer de que a felicidade está na previsibilidade suburbana, mas sua natureza vibra em outra frequência: a da adrenalina, da verdade crua e do prazo final. Walter, por sua vez, entende que o amor deles não se sustenta em jantares à luz de velas, mas na parceria intelectual forjada no calor da notícia, na cumplicidade de quem sabe que um grande furo de reportagem vale mais do que qualquer promessa de paz. A obra de Hawks, com seu ritmo implacável, captura a essência de um mundo onde a vida pessoal é apenas mais uma pauta a ser editada e a verdadeira intimidade é encontrada na busca conjunta pela próxima grande manchete.

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Hildy Johnson, a repórter mais afiada de Chicago, entra na redação do Morning Post com uma única missão: anunciar o fim da sua carreira. No seu braço, o futuro encarnado na figura de Bruce Baldwin, um pacato vendedor de seguros que lhe promete uma vida de tranquilidade doméstica em Albany. Do outro lado da mesa, seu ex-marido e editor, o maquiavélico Walter Burns, não está disposto a perder sua melhor jornalista, nem sua ex-mulher. O que se desenrola não é um simples pedido de demissão, mas o início de uma engenhosa e implacável operação de sabotagem. O pretexto perfeito surge com a notícia do dia: a iminente execução de Earl Williams, um condenado que pode ter sido vítima de um erro judicial. Para Walter, a história é a isca definitiva para fisgar o instinto predador de Hildy.

O que se segue é um balé cínico e eletrizante, confinado majoritariamente à claustrofóbica sala de imprensa do tribunal. Ali, entre telefones que não param de tocar, fumaça de cigarro e um coro de jornalistas rivais, Walter Burns tece sua teia. Ele não apela ao coração de Hildy, mas à sua mente, ao seu talento inegável. Cada obstáculo que ele cria para o noivo de Hildy, cada manobra para mantê-la perto da ação, é um lembrete do mundo que ela alega querer abandonar. Howard Hawks orquestra uma sinfonia de caos verbal, onde as frases se atropelam com a velocidade de uma metralhadora, criando uma textura sonora que é tão crucial quanto a imagem. A performance de Cary Grant como Walter é a de um estrategista charmoso e amoral, enquanto Rosalind Russell constrói uma Hildy que é sua igual em inteligência e ferocidade, uma profissional cuja paixão pelo ofício é a sua maior força e sua maior fraqueza.

Sob a superfície de uma das mais brilhantes comédias já feitas, o filme opera como uma lúcida exploração da vocação. Hildy tenta se convencer de que a felicidade está na previsibilidade suburbana, mas sua natureza vibra em outra frequência: a da adrenalina, da verdade crua e do prazo final. Walter, por sua vez, entende que o amor deles não se sustenta em jantares à luz de velas, mas na parceria intelectual forjada no calor da notícia, na cumplicidade de quem sabe que um grande furo de reportagem vale mais do que qualquer promessa de paz. A obra de Hawks, com seu ritmo implacável, captura a essência de um mundo onde a vida pessoal é apenas mais uma pauta a ser editada e a verdadeira intimidade é encontrada na busca conjunta pela próxima grande manchete.

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