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Filme: “Morte em Veneza” (1971), Luchino Visconti

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Em Veneza, assolada por um calor opressivo e boatos de uma epidemia, o compositor Gustav von Aschenbach busca refúgio. Afastado da Viena que o consagrou, ele anseia por um respiro, uma pausa na rigidez autoimposta que rege sua arte e sua vida. A cidade, com seus canais lamacentos e uma atmosfera decadente, oferece inicialmente o que ele procura: um interlúdio no caos.

No entanto, a serenidade é efêmera. A rotina monástica de Aschenbach é abalada pela visão de Tadzio, um jovem polonês de beleza angelical que personifica a perfeição estética. Aschenbach, um homem de meia-idade, intelectual e reprimido, é tomado por uma obsessão fulminante. A atração que sente por Tadzio o desestabiliza, o arrasta para um turbilhão de emoções conflitantes, onde o desejo platônico e a angústia existencial se entrelaçam.

A cidade, antes um santuário, torna-se um palco para a desintegração do compositor. Ele se vê preso entre a moralidade e a tentação, entre a razão e o instinto. A peste, que se espalha silenciosamente pelos becos venezianos, serve como metáfora para a corrupção interna que consome Aschenbach. Ele escolhe permanecer, mesmo ciente do perigo, aprisionado pela beleza efêmera de Tadzio e pela promessa ilusória de renovação. A renúncia à partida é uma forma de abraçar a própria mortalidade, de sucumbir a uma beleza que ele sabe ser inatingível. A busca pela beleza absoluta, desprovida de substância, o leva a um beco sem saída, um reflexo da própria condição humana, fadada à imperfeição e à finitude.

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Em Veneza, assolada por um calor opressivo e boatos de uma epidemia, o compositor Gustav von Aschenbach busca refúgio. Afastado da Viena que o consagrou, ele anseia por um respiro, uma pausa na rigidez autoimposta que rege sua arte e sua vida. A cidade, com seus canais lamacentos e uma atmosfera decadente, oferece inicialmente o que ele procura: um interlúdio no caos.

No entanto, a serenidade é efêmera. A rotina monástica de Aschenbach é abalada pela visão de Tadzio, um jovem polonês de beleza angelical que personifica a perfeição estética. Aschenbach, um homem de meia-idade, intelectual e reprimido, é tomado por uma obsessão fulminante. A atração que sente por Tadzio o desestabiliza, o arrasta para um turbilhão de emoções conflitantes, onde o desejo platônico e a angústia existencial se entrelaçam.

A cidade, antes um santuário, torna-se um palco para a desintegração do compositor. Ele se vê preso entre a moralidade e a tentação, entre a razão e o instinto. A peste, que se espalha silenciosamente pelos becos venezianos, serve como metáfora para a corrupção interna que consome Aschenbach. Ele escolhe permanecer, mesmo ciente do perigo, aprisionado pela beleza efêmera de Tadzio e pela promessa ilusória de renovação. A renúncia à partida é uma forma de abraçar a própria mortalidade, de sucumbir a uma beleza que ele sabe ser inatingível. A busca pela beleza absoluta, desprovida de substância, o leva a um beco sem saída, um reflexo da própria condição humana, fadada à imperfeição e à finitude.

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