Imagine um animador, um tal de Don Hertzfeldt, que recebe uma encomenda para criar vinhetas para canais de televisão familiares, como o The Family Learning Channel e o The Food Network. O resultado é uma coleção de peças publicitárias tão gloriosamente inadequadas que foram, claro, rejeitadas. O curta-metragem nos apresenta a essa antologia do fracasso: uma colher falante que anseia por uma banana, um flautista cujo ânus sangra profusamente e outros momentos de um humor non-sense que dinamitam qualquer noção de marketing televisivo. A estrutura inicial é simples e hilária, funcionando como uma vitrine da anarquia criativa de Hertzfeldt contra a rigidez corporativa.
O que começa como uma simples compilação de fracassos comerciais, no entanto, se desintegra em algo completamente diferente e muito mais instigante. A própria película do curta-metragem começa a sofrer os efeitos dessa rejeição em um nível físico. Os furos do rolo de filme invadem a cena, o papel rasga, a imagem treme e queima, e o áudio se corrompe em um ruído caótico. As criaturas de palitinhos, inicialmente peões em piadas absurdas, ganham uma consciência aterrorizante de sua própria existência precária. Elas percebem que são desenhos em um mundo que está literalmente se desfazendo ao seu redor, gritando em pânico enquanto a sua realidade de papel e tinta colapsa.
A comédia inicial dá lugar a uma angústia palpável, quase sartreana, onde os personagens são confrontados com um universo indiferente ao seu sofrimento. Sua essência, que seria definida pelos comerciais para os quais foram criados, foi negada, deixando apenas a crueza da existência e o pânico do esquecimento. Com uma estética deliberadamente lo-fi, ‘Rejected’ usa o minimalismo para explorar a relação complexa entre o artista e a sua obra, a pressão comercial e a inevitável deterioração de todas as coisas. É uma obra de animação que encontra no colapso a sua forma mais potente de expressão, uma gargalhada histérica diante do abismo.









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