Miles Monroe, um clarinetista e dono de uma loja de alimentos naturais em Greenwich Village, Nova York, entra para a história de uma forma peculiar: congelado criogenicamente em 1973 durante uma cirurgia rotineira. Desperta 200 anos depois, em um futuro distópico governado por um líder tirânico e misterioso conhecido apenas como “O Grande Líder”. O mundo que Miles encontra é radicalmente diferente do seu, um pesadelo orwelliano high-tech onde o prazer é compulsório e a individualidade é reprimida.
A reviravolta cósmica coloca Miles no centro de uma rebelião contra esse regime opressor. Considerado “saudável” por ter escapado dos excessos da alimentação do futuro, ele se torna uma peça fundamental para cientistas rebeldes que buscam derrubar o governo. Para isso, contam com a ajuda involuntária de Luna Schlosser, uma socialite neurótica e aspirante a atriz, que é mais atrapalhada do que útil. Juntos, eles embarcam em uma jornada hilária e surreal, tentando se adaptar a tecnologias bizarras, escapar das garras da polícia futurista e, acima de tudo, compreender o absurdo de sua própria situação.
O humor característico de Woody Allen permeia cada cena, desde as referências a filósofos como Nietzsche até as piadas visuais que lembram os clássicos do cinema mudo. A premissa, que à primeira vista parece uma comédia sci-fi despretensiosa, mergulha em questões existenciais sobre liberdade, controle e a busca por significado em um mundo que parece ter perdido o senso de propósito. “O Dorminhoco” não se limita a satirizar a tecnologia e a política; ele explora a eterna luta humana para encontrar um lugar em um universo cada vez mais caótico, questionando se o futuro, por mais avançado que seja, pode realmente nos libertar de nós mesmos.









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