Em um Berlim dividida de 1977, a jovem americana Susie Bannion chega à prestigiada Markos Tanz Company, carregando consigo um talento bruto e uma determinação silenciosa. Mal sabe ela que a escola de dança, sob a fachada de aulas rigorosas e disciplina, esconde um covil de segredos arcanos e rituais ancestrais. A diretora Madame Blanc, figura enigmática e mestre da dança, logo se interessa por Susie, vendo nela um potencial que transcende o mero talento artístico.
Paralelamente, acompanhamos o psicanalista Josef Klemperer, assombrado pelo desaparecimento de sua esposa durante a Segunda Guerra Mundial. Klemperer se envolve em uma teia de conspirações quando um de seus pacientes, uma ex-aluna da escola de dança, lhe revela terrores indizíveis sobre o verdadeiro propósito da instituição. Suas investigações o levam a confrontar a história sombria da cidade e a realidade perturbadora que se esconde sob a superfície da normalidade.
Guadagnino reimagina o clássico de Dario Argento com uma lente profundamente feminina, explorando temas como o poder, o corpo, a memória e a culpa. Ao invés do terror estilizado e vibrante do original, este “Suspiria” mergulha em uma atmosfera opressiva, onde a dança se torna um veículo de possessão e transformação. A coreografia, intensa e visceral, espelha a luta interna das personagens e a crescente influência das forças obscuras que habitam a escola. O filme questiona a natureza da maternidade, o peso da linhagem e a busca por identidade em um mundo fragmentado. A própria Berlim, com suas cicatrizes da guerra e a tensão política da época, funciona como um personagem, um campo de batalha onde o passado se recusa a permanecer enterrado. O conceito de alteridade, presente na análise de Lévinas, permeia a narrativa, com os horrores sendo perpetrados por aqueles que detêm o poder, enquanto os marginalizados sofrem as consequências. O filme evoca um questionamento sobre a responsabilidade, quem somos nós para julgar, e quem somos nós para punir.









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