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Filme: “Tetro” (2009), Francis Ford Coppola

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A chegada do jovem Bennie a Buenos Aires serve como catalisador para um drama familiar contido e explosivo em ‘Tetro’, a obra intensamente pessoal de Francis Ford Coppola. Em busca de seu irmão mais velho, Angelo, que desapareceu anos antes, Bennie o encontra vivendo sob o pseudônimo de Tetro em um apartamento boêmio no bairro de La Boca. O reencontro, longe de ser uma celebração, expõe imediatamente a tensão que define a relação dos dois: a ingenuidade otimista de Bennie colide com o cinismo amargo e a reclusão de Tetro, um escritor que abandonou a própria arte e o próprio nome. Vincent Gallo entrega uma performance de fragilidade e agressividade controladas, enquanto Alden Ehrenreich personifica a juventude que ainda acredita na possibilidade de reconciliação e entendimento.

O motor da narrativa é acionado quando Bennie descobre o manuscrito inacabado de uma peça autobiográfica de Tetro, um texto codificado que guarda as chaves para a fratura emocional da família e a razão do autoexílio do irmão mais velho. A leitura dessas páginas se torna um ato de transgressão e arqueologia emocional, desenterrando segredos sobre um pai dominador e genial, um famoso maestro cuja sombra se projeta sobre a vida dos filhos. Coppola utiliza o roteiro da peça não como um mero artifício, mas como o campo de batalha onde as versões conflitantes da memória familiar duelam. A narrativa opera em um terreno que reflete as conhecidas obsessões do diretor com legados geracionais, rivalidade fraterna e o custo psicológico da criação artística.

Visualmente, a escolha de um preto e branco de alto contraste para o presente em Buenos Aires ancora o filme em uma estética que remete ao cinema europeu dos anos 60, sublinhando o isolamento e a estagnação emocional de Tetro. Essa austeridade é quebrada por explosões de cor em sequências de flashback e fantasia, que representam não a verdade factual do passado, mas sua interpretação operística e distorcida pela memória e pelo trauma. A identidade de Tetro funciona como um palimpsesto: uma superfície onde a persona de ‘Angelo’ foi violentamente raspada para dar lugar a uma nova, embora os traços do passado insistam em emergir, borrados e fantasmagóricos. A presença de Bennie força uma reescrita final, não para apagar o que aconteceu, mas para confrontar as narrativas que eles construíram para sobreviver. O filme se resolve menos na busca por verdades definitivas e mais na dolorosa reconstrução de uma história compartilhada.

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A chegada do jovem Bennie a Buenos Aires serve como catalisador para um drama familiar contido e explosivo em ‘Tetro’, a obra intensamente pessoal de Francis Ford Coppola. Em busca de seu irmão mais velho, Angelo, que desapareceu anos antes, Bennie o encontra vivendo sob o pseudônimo de Tetro em um apartamento boêmio no bairro de La Boca. O reencontro, longe de ser uma celebração, expõe imediatamente a tensão que define a relação dos dois: a ingenuidade otimista de Bennie colide com o cinismo amargo e a reclusão de Tetro, um escritor que abandonou a própria arte e o próprio nome. Vincent Gallo entrega uma performance de fragilidade e agressividade controladas, enquanto Alden Ehrenreich personifica a juventude que ainda acredita na possibilidade de reconciliação e entendimento.

O motor da narrativa é acionado quando Bennie descobre o manuscrito inacabado de uma peça autobiográfica de Tetro, um texto codificado que guarda as chaves para a fratura emocional da família e a razão do autoexílio do irmão mais velho. A leitura dessas páginas se torna um ato de transgressão e arqueologia emocional, desenterrando segredos sobre um pai dominador e genial, um famoso maestro cuja sombra se projeta sobre a vida dos filhos. Coppola utiliza o roteiro da peça não como um mero artifício, mas como o campo de batalha onde as versões conflitantes da memória familiar duelam. A narrativa opera em um terreno que reflete as conhecidas obsessões do diretor com legados geracionais, rivalidade fraterna e o custo psicológico da criação artística.

Visualmente, a escolha de um preto e branco de alto contraste para o presente em Buenos Aires ancora o filme em uma estética que remete ao cinema europeu dos anos 60, sublinhando o isolamento e a estagnação emocional de Tetro. Essa austeridade é quebrada por explosões de cor em sequências de flashback e fantasia, que representam não a verdade factual do passado, mas sua interpretação operística e distorcida pela memória e pelo trauma. A identidade de Tetro funciona como um palimpsesto: uma superfície onde a persona de ‘Angelo’ foi violentamente raspada para dar lugar a uma nova, embora os traços do passado insistam em emergir, borrados e fantasmagóricos. A presença de Bennie força uma reescrita final, não para apagar o que aconteceu, mas para confrontar as narrativas que eles construíram para sobreviver. O filme se resolve menos na busca por verdades definitivas e mais na dolorosa reconstrução de uma história compartilhada.

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