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Filme: “Viva – A Vida é uma Festa” (2017), Lee Unkrich, Adrian Molina

Em um vilarejo mexicano vibrante, onde a cor e a tradição definem a vida, o jovem Miguel Rivera carrega um segredo: uma paixão avassaladora pela música. O problema é que sua família, os Rivera, sapateiros por gerações, baniu toda e qualquer forma de expressão musical de suas vidas, uma proibição enraizada em uma antiga e…


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Em um vilarejo mexicano vibrante, onde a cor e a tradição definem a vida, o jovem Miguel Rivera carrega um segredo: uma paixão avassaladora pela música. O problema é que sua família, os Rivera, sapateiros por gerações, baniu toda e qualquer forma de expressão musical de suas vidas, uma proibição enraizada em uma antiga e dolorosa traição. Determinado a seguir os passos de seu ídolo, o lendário músico Ernesto de la Cruz, Miguel desafia a matriarca de sua família no sagrado Día de los Muertos. Um ato impulsivo com o violão de seu ídolo o transporta para a Terra dos Mortos, um espetacular universo de neon e calêndulas, povoado pelos esqueletos de seus antepassados. Para retornar ao mundo dos vivos, ele precisa da bênção de um familiar, mas sua recusa em abandonar a música o coloca em uma corrida contra o nascer do sol, com o risco de ficar preso para sempre.

A jornada de Miguel por este mundo pós-vida, ao lado do charmoso e desesperado esqueleto Héctor, desdobra-se como uma investigação sobre suas próprias raízes e a verdadeira natureza do legado. A direção de Lee Unkrich e Adrian Molina constrói um sistema de regras fascinante para seu além-vida: a existência contínua depende diretamente da memória dos vivos. Ser esquecido significa a Morte Final, um apagamento completo. Esta premissa estabelece um comentário sutil sobre a ideia de que nossa identidade perdura não em monumentos, mas na narrativa oral e afetiva que deixamos para trás. O filme articula que a memória não é um arquivo passivo, mas uma força ativa que sustenta a própria existência, um conceito que flerta com a noção de que ser é, fundamentalmente, ser percebido.

A obra se aprofunda ao examinar como as histórias familiares são construídas, distorcidas e, eventualmente, corrigidas. A figura de Ernesto de la Cruz funciona como um estudo sobre a fama e a fabricação de mitos públicos, contrastando a imagem idealizada com a verdade oculta nos cantos esquecidos da história. A narrativa não se apoia em antagonismos simples, preferindo explorar as complexidades do ressentimento, do sacrifício e do perdão que moldam os laços familiares ao longo de décadas. A música, inicialmente a fonte de todo o conflito, gradualmente se revela como o único veículo capaz de curar as feridas geracionais, atuando como um fio condutor da memória e da reconciliação.

Com uma animação que equilibra o espetáculo visual com uma atenção minuciosa aos detalhes culturais do México, o longa-metragem da Pixar alcança uma ressonância emocional notável. A representação do Día de los Muertos é feita com uma integridade que informa e celebra, evitando a apropriação superficial. O resultado é uma narrativa madura sobre a importância de conhecer e honrar nosso passado, não como um fardo imutável, mas como a base sobre a qual construímos quem somos. É um trabalho que utiliza a fantasia para questionar a maneira como escolhemos lembrar e o que é necessário para, de fato, sermos lembrados.


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