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Filme: “Os Vermelhos e os Brancos” (1967), Miklós Jancsó

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Miklós Jancsó desenterra as areias movediças da guerra civil russa em “Os Vermelhos e os Brancos”, um filme que dispensa heroísmos fáceis e opta por uma coreografia da desumanidade. A narrativa, fragmentada como um campo de batalha estilhaçado, acompanha unidades díspares de soldados vermelhos e brancos, presos em um ciclo implacável de confrontos e execuções sumárias ao longo da vasta estepe russa. Não há uma trama central, mas sim uma série de vinhetas brutais, onde a vida perde seu valor em meio à paisagem desolada.

Jancsó abandona a narrativa tradicional para construir uma experiência visual impactante. A câmera, em movimentos fluidos e amplos, captura a vastidão do território e a futilidade da violência. Os personagens, despojados de individualidade, tornam-se peças em um jogo macabro, onde a ideologia é apenas um pretexto para a aniquilação mútua. A ausência de um protagonista identificável força o espectador a confrontar a natureza impessoal da guerra, onde a morte é banal e a compaixão, um luxo raro.

O filme ecoa a filosofia do absurdo, particularmente a ideia de que a existência humana é destituída de sentido intrínseco. As ações dos soldados, movidas por um fervor cego e uma brutalidade sistemática, revelam a fragilidade da razão e a capacidade humana de mergulhar na irracionalidade. A guerra, nesse contexto, não é uma luta por ideais nobres, mas sim uma manifestação da nossa incapacidade de encontrar um propósito maior, resultando em um ciclo vicioso de destruição e sofrimento. A fotografia em preto e branco, austera e contrastante, intensifica a sensação de desolação e a futilidade da luta. “Os Vermelhos e os Brancos” não busca justificar ou condenar nenhum dos lados do conflito; em vez disso, expõe a natureza brutal da guerra e a erosão da humanidade em meio ao caos.

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Miklós Jancsó desenterra as areias movediças da guerra civil russa em “Os Vermelhos e os Brancos”, um filme que dispensa heroísmos fáceis e opta por uma coreografia da desumanidade. A narrativa, fragmentada como um campo de batalha estilhaçado, acompanha unidades díspares de soldados vermelhos e brancos, presos em um ciclo implacável de confrontos e execuções sumárias ao longo da vasta estepe russa. Não há uma trama central, mas sim uma série de vinhetas brutais, onde a vida perde seu valor em meio à paisagem desolada.

Jancsó abandona a narrativa tradicional para construir uma experiência visual impactante. A câmera, em movimentos fluidos e amplos, captura a vastidão do território e a futilidade da violência. Os personagens, despojados de individualidade, tornam-se peças em um jogo macabro, onde a ideologia é apenas um pretexto para a aniquilação mútua. A ausência de um protagonista identificável força o espectador a confrontar a natureza impessoal da guerra, onde a morte é banal e a compaixão, um luxo raro.

O filme ecoa a filosofia do absurdo, particularmente a ideia de que a existência humana é destituída de sentido intrínseco. As ações dos soldados, movidas por um fervor cego e uma brutalidade sistemática, revelam a fragilidade da razão e a capacidade humana de mergulhar na irracionalidade. A guerra, nesse contexto, não é uma luta por ideais nobres, mas sim uma manifestação da nossa incapacidade de encontrar um propósito maior, resultando em um ciclo vicioso de destruição e sofrimento. A fotografia em preto e branco, austera e contrastante, intensifica a sensação de desolação e a futilidade da luta. “Os Vermelhos e os Brancos” não busca justificar ou condenar nenhum dos lados do conflito; em vez disso, expõe a natureza brutal da guerra e a erosão da humanidade em meio ao caos.

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