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Filme: “Tabu: Uma História dos Mares do Sul” (1931), F.W. Murnau

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Uma onda quebra suavemente na praia de Bora Bora, um paraíso intocado onde a vida pulsa em ritmo próprio. “Tabu: Uma História dos Mares do Sul”, a última obra do mestre expressionista F.W. Murnau, transporta o espectador para este Éden, mas sem ilusões edênicas. Matahi, um jovem mergulhador de pérolas, personifica a força e a beleza da juventude polinésia. Sua vida, simples e feliz ao lado de Reri, a mulher que ama, é abruptamente interrompida quando ela é escolhida como virgem sagrada, uma oferenda aos deuses, um tabu intocável para qualquer homem mortal.

A escolha de Reri, e a imposição do tabu que a circunda, não são apresentadas como fatalidades metafísicas, mas como construções sociais que definem e restringem o livre arbítrio. Matahi, apaixonado e desafiador, não aceita o destino imposto e foge com Reri para uma ilha vizinha, buscando uma nova vida longe das tradições ancestrais. A jornada dos amantes, inicialmente tingida pela esperança e pela liberdade recém-descoberta, logo se transforma em uma luta pela sobrevivência, expondo a dura realidade de um mundo em transformação, onde o contato com o comércio e os valores ocidentais corrói a pureza da cultura nativa.

Murnau, com sua câmera fluida e expressiva, captura a beleza estonteante da Polinésia, mas sem romantização excessiva. As paisagens paradisíacas contrastam com a crescente tensão entre os amantes e a inevitável perseguição que se aproxima. A beleza física dos protagonistas e a autenticidade dos costumes locais, registrados com olhar quase documental, servem para intensificar o drama da sua luta contra um destino aparentemente inexorável. “Tabu” é, em essência, uma reflexão sobre o poder das convenções sociais e a fragilidade da liberdade individual em face das forças culturais e económicas que moldam o nosso mundo. O filme ecoa a ideia nietzschiana do eterno retorno, onde os ciclos de desejo e repressão se repetem, aprisionando os indivíduos em narrativas predeterminadas. Não há redenção fácil, apenas a constatação de que o paraíso perdido raramente pode ser recuperado.

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Uma onda quebra suavemente na praia de Bora Bora, um paraíso intocado onde a vida pulsa em ritmo próprio. “Tabu: Uma História dos Mares do Sul”, a última obra do mestre expressionista F.W. Murnau, transporta o espectador para este Éden, mas sem ilusões edênicas. Matahi, um jovem mergulhador de pérolas, personifica a força e a beleza da juventude polinésia. Sua vida, simples e feliz ao lado de Reri, a mulher que ama, é abruptamente interrompida quando ela é escolhida como virgem sagrada, uma oferenda aos deuses, um tabu intocável para qualquer homem mortal.

A escolha de Reri, e a imposição do tabu que a circunda, não são apresentadas como fatalidades metafísicas, mas como construções sociais que definem e restringem o livre arbítrio. Matahi, apaixonado e desafiador, não aceita o destino imposto e foge com Reri para uma ilha vizinha, buscando uma nova vida longe das tradições ancestrais. A jornada dos amantes, inicialmente tingida pela esperança e pela liberdade recém-descoberta, logo se transforma em uma luta pela sobrevivência, expondo a dura realidade de um mundo em transformação, onde o contato com o comércio e os valores ocidentais corrói a pureza da cultura nativa.

Murnau, com sua câmera fluida e expressiva, captura a beleza estonteante da Polinésia, mas sem romantização excessiva. As paisagens paradisíacas contrastam com a crescente tensão entre os amantes e a inevitável perseguição que se aproxima. A beleza física dos protagonistas e a autenticidade dos costumes locais, registrados com olhar quase documental, servem para intensificar o drama da sua luta contra um destino aparentemente inexorável. “Tabu” é, em essência, uma reflexão sobre o poder das convenções sociais e a fragilidade da liberdade individual em face das forças culturais e económicas que moldam o nosso mundo. O filme ecoa a ideia nietzschiana do eterno retorno, onde os ciclos de desejo e repressão se repetem, aprisionando os indivíduos em narrativas predeterminadas. Não há redenção fácil, apenas a constatação de que o paraíso perdido raramente pode ser recuperado.

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