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Filme: “Ataque ao Prédio” (2011), Joe Cornish

Em uma noite de Guy Fawkes qualquer no sul de Londres, o céu se ilumina com fogos de artifício, mas algo mais cai das estrelas. A aterrissagem forçada interrompe o assalto de uma gangue de adolescentes, liderada por um impassível Moses, a uma enfermeira chamada Sam. O que começa como um crime urbano mesquinho se…


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Em uma noite de Guy Fawkes qualquer no sul de Londres, o céu se ilumina com fogos de artifício, mas algo mais cai das estrelas. A aterrissagem forçada interrompe o assalto de uma gangue de adolescentes, liderada por um impassível Moses, a uma enfermeira chamada Sam. O que começa como um crime urbano mesquinho se desvia abruptamente para uma luta pela sobrevivência quando a pequena criatura que caiu do céu se revela a vanguarda de uma invasão. Joe Cornish, em sua estreia na direção, transforma um bloco de apartamentos de concreto em um campo de batalha improvável, onde a única força de defesa é o mesmo grupo de jovens que a sociedade já havia rotulado como uma ameaça. O filme de 2011, que revelou o talento de John Boyega ao mundo, é uma obra de ficção científica com uma energia contagiante, misturando comédia de terror com um comentário social afiado, mas nunca didático.

Ataque ao Prédio opera com uma premissa brilhantemente contida. As criaturas, silhuetas escuras com dentes fluorescentes e uma ferocidade predatória, não se interessam por monumentos globais ou centros de poder. Seu foco é singular e implacável: o bloco de apartamentos Wyndham. A arquitetura do lugar, com seus corredores claustrofóbicos, elevadores temperamentais e apartamentos interconectados, torna-se um personagem fundamental na narrativa, um ambiente que os jovens conhecem intimamente e usam a seu favor. A aliança forçada entre a gangue e Sam, sua vítima inicial, constrói uma dinâmica fascinante, movendo-se da desconfiança para uma interdependência pragmática. O roteiro de Cornish é econômico e inteligente, desenvolvendo seus personagens através de ações e diálogos rápidos e cheios de gírias, capturando a autenticidade de uma juventude marginalizada sem cair em caricaturas fáceis ou sentimentalismo.

Mais do que uma simples história de invasão alienígena, a obra explora, de maneira sutil, uma curiosa manifestação do conceito de soberania territorial. O bloco, um espaço frequentemente estigmatizado e negligenciado pelas autoridades, transforma-se em um domínio autônomo, onde as regras são ditadas pela necessidade de sobrevivência e pela lealdade ao grupo. Os protagonistas, que vivem sob o constante escrutínio e preconceito do mundo exterior, encontram na ameaça extraterrestre uma oportunidade de afirmar seu próprio valor e controle sobre o único espaço que chamam de seu. A direção de Cornish é cinética e visceral, apoiada por uma trilha sonora pulsante que funde eletrônica e grime, solidificando Ataque ao Prédio não apenas como um excelente filme de gênero, mas como um registro cultural potente e um dos exemplos mais originais e inteligentes do cinema britânico moderno.


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