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Filme: “Local Hero” (1983), Bill Forsyth

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A lógica do capital raramente encontra poesia em seu caminho, mas é justamente nesse improvável cruzamento que se firma a estrutura de ‘Local Hero’, o filme de Bill Forsyth de 1983. A premissa é um clássico embate cultural da era Reagan: Mac MacIntyre é um negociador afiado da gigante petrolífera Knox Oil, em Houston, um homem cuja identidade se resume ao seu Porsche, seu apartamento moderno e sua habilidade em transformar paisagens em cifras. Seu excêntrico chefe, Felix Happer, um bilionário que prefere observar cometas a balanços financeiros, o envia para a remota e fictícia aldeia de Ferness, na costa da Escócia. A missão é direta e aparentemente simples: adquirir toda a localidade para a construção de uma refinaria de petróleo. Mac, que assume ter sido escolhido por seu sobrenome escocês, acredita que será uma transação rápida, mais um número a ser adicionado em seu portfólio de sucesso.

Ao chegar em Ferness, no entanto, o roteiro de Forsyth desmonta qualquer expectativa de um confronto maniqueísta. Longe de encontrar uma comunidade ingênua pronta para ser explorada, Mac se depara com figuras como Gordon Urquhart, o estalajadeiro e contador local, que enxergam a oferta bilionária não como uma ameaça, mas como uma oportunidade de negócio a ser meticulosamente negociada. O filme sutilmente inverte a dinâmica de poder. Os habitantes de Ferness, com sua cadência de vida própria, seu humor peculiar e sua profunda conexão com o mar e o céu, começam a operar uma transformação silenciosa no executivo. Aos poucos, a coleta de conchas na praia se torna mais interessante do que fechar o acordo, e o espetáculo da aurora boreal adquire um valor que dólar algum pode comprar.

A obra explora, com uma leveza quase existencial, a diferença entre simplesmente ocupar um espaço e verdadeiramente pertencer a ele. Mac habita um apartamento em Houston, mas é na pequena Ferness que ele começa a encontrar um senso de lugar, uma conexão genuína com o solo e o céu, algo que seu chefe, Happer, busca de maneira distante através de seu telescópio. A comédia de Bill Forsyth não reside em piadas óbvias, mas na observação afetuosa do comportamento humano, na excentricidade dos personagens e na ironia de um homem enviado para comprar uma alma e que acaba por encontrar a sua. O desfecho, com o solitário toque de um telefone público em uma doca escocesa, ecoando no moderno apartamento de Mac em Houston, consolida ‘Local Hero’ como uma análise melancólica e espirituosa sobre o que, de fato, constitui a riqueza na experiência humana.

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A lógica do capital raramente encontra poesia em seu caminho, mas é justamente nesse improvável cruzamento que se firma a estrutura de ‘Local Hero’, o filme de Bill Forsyth de 1983. A premissa é um clássico embate cultural da era Reagan: Mac MacIntyre é um negociador afiado da gigante petrolífera Knox Oil, em Houston, um homem cuja identidade se resume ao seu Porsche, seu apartamento moderno e sua habilidade em transformar paisagens em cifras. Seu excêntrico chefe, Felix Happer, um bilionário que prefere observar cometas a balanços financeiros, o envia para a remota e fictícia aldeia de Ferness, na costa da Escócia. A missão é direta e aparentemente simples: adquirir toda a localidade para a construção de uma refinaria de petróleo. Mac, que assume ter sido escolhido por seu sobrenome escocês, acredita que será uma transação rápida, mais um número a ser adicionado em seu portfólio de sucesso.

Ao chegar em Ferness, no entanto, o roteiro de Forsyth desmonta qualquer expectativa de um confronto maniqueísta. Longe de encontrar uma comunidade ingênua pronta para ser explorada, Mac se depara com figuras como Gordon Urquhart, o estalajadeiro e contador local, que enxergam a oferta bilionária não como uma ameaça, mas como uma oportunidade de negócio a ser meticulosamente negociada. O filme sutilmente inverte a dinâmica de poder. Os habitantes de Ferness, com sua cadência de vida própria, seu humor peculiar e sua profunda conexão com o mar e o céu, começam a operar uma transformação silenciosa no executivo. Aos poucos, a coleta de conchas na praia se torna mais interessante do que fechar o acordo, e o espetáculo da aurora boreal adquire um valor que dólar algum pode comprar.

A obra explora, com uma leveza quase existencial, a diferença entre simplesmente ocupar um espaço e verdadeiramente pertencer a ele. Mac habita um apartamento em Houston, mas é na pequena Ferness que ele começa a encontrar um senso de lugar, uma conexão genuína com o solo e o céu, algo que seu chefe, Happer, busca de maneira distante através de seu telescópio. A comédia de Bill Forsyth não reside em piadas óbvias, mas na observação afetuosa do comportamento humano, na excentricidade dos personagens e na ironia de um homem enviado para comprar uma alma e que acaba por encontrar a sua. O desfecho, com o solitário toque de um telefone público em uma doca escocesa, ecoando no moderno apartamento de Mac em Houston, consolida ‘Local Hero’ como uma análise melancólica e espirituosa sobre o que, de fato, constitui a riqueza na experiência humana.

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