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Filme: “Cidadão Kane”, Orson Welles

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No seu palácio monumental e desolado, Xanadu, o magnata da imprensa Charles Foster Kane dá o seu último suspiro. Uma única palavra escapa dos seus lábios: “Rosebud”.

O que é, ou quem foi, Rosebud? A pergunta lança um jovem e determinado repórter numa caçada jornalística para decifrar o enigma final do homem que foi tudo – e que, ao que parece, não teve nada. A sua investigação começa onde a vida pública de Kane terminou: numa cinebiografia apressada que cataloga as suas vitórias e escândalos, mas que falha em capturar a sua essência.

Mergulhando nos arquivos e nas memórias daqueles que o conheceram, o filme monta um retrato fragmentado de Kane. Cada entrevistado – o seu leal gerente de negócios, o seu melhor amigo e crítico mais ferrenho, a sua segunda esposa de voz frágil e ambições esmagadas – oferece uma peça do quebra-cabeça. Vemos o jovem idealista que prometeu proteger os desfavorecidos, o barão implacável que moldava a opinião pública como argila, o político cuja carreira implodiu num escândalo sexual e o velho solitário, prisioneiro da sua própria riqueza.

Mas quanto mais o repórter se aproxima da verdade sobre a vida de Kane, mais o homem Charles Foster Kane parece recuar para as sombras. A narrativa de Welles não é tanto sobre encontrar uma resposta, mas sobre a fascinante e, por vezes, trágica impossibilidade de encapsular uma vida inteira numa única palavra ou numa única história. É uma exploração audaciosa do poder, da memória e do mito americano, questionando se o legado de um homem é aquilo que ele construiu ou aquilo que ele perdeu pelo caminho.

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No seu palácio monumental e desolado, Xanadu, o magnata da imprensa Charles Foster Kane dá o seu último suspiro. Uma única palavra escapa dos seus lábios: “Rosebud”.

O que é, ou quem foi, Rosebud? A pergunta lança um jovem e determinado repórter numa caçada jornalística para decifrar o enigma final do homem que foi tudo – e que, ao que parece, não teve nada. A sua investigação começa onde a vida pública de Kane terminou: numa cinebiografia apressada que cataloga as suas vitórias e escândalos, mas que falha em capturar a sua essência.

Mergulhando nos arquivos e nas memórias daqueles que o conheceram, o filme monta um retrato fragmentado de Kane. Cada entrevistado – o seu leal gerente de negócios, o seu melhor amigo e crítico mais ferrenho, a sua segunda esposa de voz frágil e ambições esmagadas – oferece uma peça do quebra-cabeça. Vemos o jovem idealista que prometeu proteger os desfavorecidos, o barão implacável que moldava a opinião pública como argila, o político cuja carreira implodiu num escândalo sexual e o velho solitário, prisioneiro da sua própria riqueza.

Mas quanto mais o repórter se aproxima da verdade sobre a vida de Kane, mais o homem Charles Foster Kane parece recuar para as sombras. A narrativa de Welles não é tanto sobre encontrar uma resposta, mas sobre a fascinante e, por vezes, trágica impossibilidade de encapsular uma vida inteira numa única palavra ou numa única história. É uma exploração audaciosa do poder, da memória e do mito americano, questionando se o legado de um homem é aquilo que ele construiu ou aquilo que ele perdeu pelo caminho.

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