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Filme: “Kids” (1995), Larry Clark

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Nova York, meados dos anos 90. Telly, um adolescente obcecado por sua virgindade alheia, navega pela cidade com uma despreocupação quase predatória, colecionando conquistas sexuais com uma frieza que assusta. Jennie, uma de suas vítimas, descobre ser portadora do vírus HIV e inicia uma busca desesperada por Telly, numa corrida contra o tempo e contra a própria negligência. Acompanhamos um dia na vida de um grupo de jovens, embalados por skate, drogas e uma aparente imortalidade que a juventude lhes concede.

O filme de Larry Clark, com roteiro de Harmony Korine, não busca o choque pelo choque, mas sim a naturalidade de um cotidiano cru e desprovido de filtros. A câmera acompanha os personagens com uma objetividade quase documental, sem julgamentos morais ou tentativas de redenção. A ausência de trilha sonora diegética em muitas cenas contribui para essa sensação de realismo incômodo, intensificando a atmosfera de abandono e vazio existencial que permeia a narrativa.

‘Kids’ é uma imersão perturbadora em um universo onde a irresponsabilidade é a norma e as consequências são apenas abstrações distantes. Um retrato implacável da vulnerabilidade adolescente, da busca por identidade em meio ao caos e da fragilidade da carne em um mundo que parece ter perdido o rumo. A busca incessante por prazer imediato, desprovida de qualquer reflexão, ecoa a ideia nietzschiana do eterno retorno, onde os personagens estão condenados a repetir os mesmos erros, aprisionados em um ciclo vicioso de autodestruição. Um filme que permanece ressonante, anos depois, como um alerta sobre os perigos da indiferença e a urgência de um olhar mais atento sobre as novas gerações.

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Nova York, meados dos anos 90. Telly, um adolescente obcecado por sua virgindade alheia, navega pela cidade com uma despreocupação quase predatória, colecionando conquistas sexuais com uma frieza que assusta. Jennie, uma de suas vítimas, descobre ser portadora do vírus HIV e inicia uma busca desesperada por Telly, numa corrida contra o tempo e contra a própria negligência. Acompanhamos um dia na vida de um grupo de jovens, embalados por skate, drogas e uma aparente imortalidade que a juventude lhes concede.

O filme de Larry Clark, com roteiro de Harmony Korine, não busca o choque pelo choque, mas sim a naturalidade de um cotidiano cru e desprovido de filtros. A câmera acompanha os personagens com uma objetividade quase documental, sem julgamentos morais ou tentativas de redenção. A ausência de trilha sonora diegética em muitas cenas contribui para essa sensação de realismo incômodo, intensificando a atmosfera de abandono e vazio existencial que permeia a narrativa.

‘Kids’ é uma imersão perturbadora em um universo onde a irresponsabilidade é a norma e as consequências são apenas abstrações distantes. Um retrato implacável da vulnerabilidade adolescente, da busca por identidade em meio ao caos e da fragilidade da carne em um mundo que parece ter perdido o rumo. A busca incessante por prazer imediato, desprovida de qualquer reflexão, ecoa a ideia nietzschiana do eterno retorno, onde os personagens estão condenados a repetir os mesmos erros, aprisionados em um ciclo vicioso de autodestruição. Um filme que permanece ressonante, anos depois, como um alerta sobre os perigos da indiferença e a urgência de um olhar mais atento sobre as novas gerações.

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