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Filme: “O Tambor” (1979), Volker Schlöndorff

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No seu terceiro aniversário, em meio às crescentes tensões políticas da Cidade Livre de Danzig, Oskar Matzerath toma uma decisão irrevogável: ele vai parar de crescer. Este ato de pura vontade, selado com uma queda deliberada da escada do porão, é o ponto de partida para a monumental adaptação de Volker Schlöndorff do romance de Günter Grass, O Tambor. Armado com um tambor de lata, um presente de aniversário que se torna uma extensão de sua voz, e um grito agudo capaz de estilhaçar cristal, Oskar se posiciona como um observador perpétuo, uma criança eterna navegando pelo absurdo do mundo adulto que se desdobra em sua volta, desde a ascensão do Partido Nazista até a devastação da Segunda Guerra Mundial e a subsequente reconstrução.

A narrativa acompanha a perspectiva única de Oskar, que testemunha a complexa dinâmica de sua família: a mãe Agnes, dividida entre seu marido alemão, Alfred, e seu primo e amante polonês, Jan. A incerteza da paternidade de Oskar ecoa a própria identidade fraturada de Danzig, uma cidade presa entre a Alemanha e a Polônia. Enquanto os adultos marcham em direção à catástrofe, embalados por discursos ideológicos e fervor patriótico, o ritmo incessante do tambor de Oskar serve como uma trilha sonora anárquica, um comentário rítmico sobre a hipocrisia e a loucura coletiva. Schlöndorff filma essa jornada não com julgamento, mas com uma clareza quase documental, mesclando o realismo cru com elementos de um fantástico grotesco que captura a essência do material original. A câmera do diretor opera com a precisão de um entomologista, estudando os comportamentos bizarros de uma sociedade em colapso através de seu espécime mais peculiar.

Mais do que uma simples crônica histórica vista de baixo, o filme explora uma forma de recusa filosófica. A escolha de Oskar de não crescer não é uma fuga infantil, mas um ato de profundo dissentimento contra o contrato social imposto. Ele rejeita a linearidade do tempo e a cumplicidade inerente à maturidade em um mundo cujos valores se tornaram perversos. Sua imutabilidade física se torna a única constante em um continente que se desfaz e se refaz, tornando sua perspectiva um ponto fixo a partir do qual se pode medir a insanidade circundante. É uma afirmação radical da subjetividade contra as forças esmagadoras da história, uma escolha de permanecer fora da progressão que leva inevitavelmente à cumplicidade e à ruína.

Consagrado com a Palma de Ouro em Cannes e o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, O Tambor permanece uma obra central do Novo Cinema Alemão e uma das mais potentes adaptações literárias já realizadas. Schlöndorff consegue traduzir a complexidade alegórica de Grass em uma linguagem cinematográfica que é ao mesmo tempo visceral e cerebral, cômica e profundamente perturbadora. O filme não oferece conforto nem catarse fácil, apresentando em vez disso uma visão inabalável da história através dos olhos de alguém que, ao se recusar a participar dela nos termos estabelecidos, acaba por se tornar seu cronista mais lúcido e implacável.

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No seu terceiro aniversário, em meio às crescentes tensões políticas da Cidade Livre de Danzig, Oskar Matzerath toma uma decisão irrevogável: ele vai parar de crescer. Este ato de pura vontade, selado com uma queda deliberada da escada do porão, é o ponto de partida para a monumental adaptação de Volker Schlöndorff do romance de Günter Grass, O Tambor. Armado com um tambor de lata, um presente de aniversário que se torna uma extensão de sua voz, e um grito agudo capaz de estilhaçar cristal, Oskar se posiciona como um observador perpétuo, uma criança eterna navegando pelo absurdo do mundo adulto que se desdobra em sua volta, desde a ascensão do Partido Nazista até a devastação da Segunda Guerra Mundial e a subsequente reconstrução.

A narrativa acompanha a perspectiva única de Oskar, que testemunha a complexa dinâmica de sua família: a mãe Agnes, dividida entre seu marido alemão, Alfred, e seu primo e amante polonês, Jan. A incerteza da paternidade de Oskar ecoa a própria identidade fraturada de Danzig, uma cidade presa entre a Alemanha e a Polônia. Enquanto os adultos marcham em direção à catástrofe, embalados por discursos ideológicos e fervor patriótico, o ritmo incessante do tambor de Oskar serve como uma trilha sonora anárquica, um comentário rítmico sobre a hipocrisia e a loucura coletiva. Schlöndorff filma essa jornada não com julgamento, mas com uma clareza quase documental, mesclando o realismo cru com elementos de um fantástico grotesco que captura a essência do material original. A câmera do diretor opera com a precisão de um entomologista, estudando os comportamentos bizarros de uma sociedade em colapso através de seu espécime mais peculiar.

Mais do que uma simples crônica histórica vista de baixo, o filme explora uma forma de recusa filosófica. A escolha de Oskar de não crescer não é uma fuga infantil, mas um ato de profundo dissentimento contra o contrato social imposto. Ele rejeita a linearidade do tempo e a cumplicidade inerente à maturidade em um mundo cujos valores se tornaram perversos. Sua imutabilidade física se torna a única constante em um continente que se desfaz e se refaz, tornando sua perspectiva um ponto fixo a partir do qual se pode medir a insanidade circundante. É uma afirmação radical da subjetividade contra as forças esmagadoras da história, uma escolha de permanecer fora da progressão que leva inevitavelmente à cumplicidade e à ruína.

Consagrado com a Palma de Ouro em Cannes e o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, O Tambor permanece uma obra central do Novo Cinema Alemão e uma das mais potentes adaptações literárias já realizadas. Schlöndorff consegue traduzir a complexidade alegórica de Grass em uma linguagem cinematográfica que é ao mesmo tempo visceral e cerebral, cômica e profundamente perturbadora. O filme não oferece conforto nem catarse fácil, apresentando em vez disso uma visão inabalável da história através dos olhos de alguém que, ao se recusar a participar dela nos termos estabelecidos, acaba por se tornar seu cronista mais lúcido e implacável.

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