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Filme: “Intolerância” (1916), D.W. Griffith

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A ambição de D.W. Griffith em ‘Intolerância’ é de uma escala que o cinema raramente tentaria novamente. Lançado em 1916, o projeto desdobra-se não em uma, mas em quatro narrativas distintas, separadas por milênios, que correm em paralelo. A espinha dorsal é uma história moderna sobre um jovem casal da classe trabalhadora, cujas vidas são desmanteladas pela frieza de reformadores morais e por um sistema judicial falho. Orbitando este drama contemporâneo, Griffith nos transporta para a queda da Babilônia, a crucificação de Cristo na Judeia e o Massacre da Noite de São Bartolomeu na França do século XVI. Cada segmento é concebido como uma variação sobre o mesmo tema central: os efeitos destrutivos gerados quando a convicção se transforma em dogma.

O que torna a obra uma peça fundamental na história do cinema não é apenas sua grandiosidade visual, com os cenários babilônicos que se tornaram lendários, mas sua ousadia estrutural. Griffith entrelaça os destinos de suas personagens através de uma montagem que se acelera progressivamente, cortando entre uma execução iminente na era moderna, a traição nos portões da Babilônia e a perseguição religiosa na França. A técnica cria um efeito de simultaneidade universal, como se a mesma falha humana estivesse se manifestando em diferentes palcos ao longo do tempo. A estrutura sugere uma espécie de eterno retorno da incompreensão humana, onde a tecnologia e os costumes mudam, mas os mecanismos de exclusão permanecem perturbadoramente similares.

Concebido em parte como uma resposta às críticas recebidas por ‘O Nascimento de uma Nação’, ‘Intolerância’ é uma análise monumental, ainda que complexa e por vezes contraditória, do que seu título propõe. O filme não se detém em figuras singulares de maldade; em vez disso, examina os sistemas e as ideologias que fomentam o preconceito. A intolerância aqui não vem apenas da tirania, mas também da suposta virtude, como no caso das “Damas da Reforma” da trama moderna, cuja cruzada pela moralidade causa mais devastação do que redenção. É uma produção que, em sua tentativa de abraçar toda a história humana, revela tanto sobre as convicções de seu diretor quanto sobre a persistente capacidade humana para o conflito.

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A ambição de D.W. Griffith em ‘Intolerância’ é de uma escala que o cinema raramente tentaria novamente. Lançado em 1916, o projeto desdobra-se não em uma, mas em quatro narrativas distintas, separadas por milênios, que correm em paralelo. A espinha dorsal é uma história moderna sobre um jovem casal da classe trabalhadora, cujas vidas são desmanteladas pela frieza de reformadores morais e por um sistema judicial falho. Orbitando este drama contemporâneo, Griffith nos transporta para a queda da Babilônia, a crucificação de Cristo na Judeia e o Massacre da Noite de São Bartolomeu na França do século XVI. Cada segmento é concebido como uma variação sobre o mesmo tema central: os efeitos destrutivos gerados quando a convicção se transforma em dogma.

O que torna a obra uma peça fundamental na história do cinema não é apenas sua grandiosidade visual, com os cenários babilônicos que se tornaram lendários, mas sua ousadia estrutural. Griffith entrelaça os destinos de suas personagens através de uma montagem que se acelera progressivamente, cortando entre uma execução iminente na era moderna, a traição nos portões da Babilônia e a perseguição religiosa na França. A técnica cria um efeito de simultaneidade universal, como se a mesma falha humana estivesse se manifestando em diferentes palcos ao longo do tempo. A estrutura sugere uma espécie de eterno retorno da incompreensão humana, onde a tecnologia e os costumes mudam, mas os mecanismos de exclusão permanecem perturbadoramente similares.

Concebido em parte como uma resposta às críticas recebidas por ‘O Nascimento de uma Nação’, ‘Intolerância’ é uma análise monumental, ainda que complexa e por vezes contraditória, do que seu título propõe. O filme não se detém em figuras singulares de maldade; em vez disso, examina os sistemas e as ideologias que fomentam o preconceito. A intolerância aqui não vem apenas da tirania, mas também da suposta virtude, como no caso das “Damas da Reforma” da trama moderna, cuja cruzada pela moralidade causa mais devastação do que redenção. É uma produção que, em sua tentativa de abraçar toda a história humana, revela tanto sobre as convicções de seu diretor quanto sobre a persistente capacidade humana para o conflito.

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