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Filme: “Talking About Trees” (2019), Suhaib Gasmelbari

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Quatro cineastas sudaneses, amigos de longa data e membros do outrora vibrante Sudanese Film Club, reúnem-se com uma missão aparentemente simples: projetar um filme ao ar livre para o público de sua cidade. Ibrahim Shaddad, Suleiman Mohamed Ibrahim, Manar Al-Hilo e Eltayeb Mahdi, todos formados em escolas de cinema no exterior durante os anos dourados da sétima arte em seu país, agora enfrentam uma realidade onde os cinemas estão fechados, em ruínas ou transformados em outras coisas. O documentário de Suhaib Gasmelbari, ‘Talking About Trees’, acompanha a jornada quixotesca deste quarteto, documentando não apenas seus esforços práticos para limpar um velho auditório e consertar um projetor, mas também o labirinto burocrático e a apatia cultural que se instalaram após décadas de um regime fundamentalista que deliberadamente sufocou a expressão artística.

A força de ‘Talking About Trees’ reside na sua abordagem observacional e na sua recusa em fabricar um drama que não seja o inerente à própria situação. Gasmelbari filma seus protagonistas com um carinho evidente, capturando o humor, a camaradagem e a melancolia que permeiam suas conversas. Enquanto relembram seus filmes, suas viagens e o prestígio perdido do cinema sudanês, o filme intercala trechos de suas obras antigas, criando um diálogo constante entre um passado criativo e vibrante e um presente estagnado. A câmera pacientemente registra as frustrações cotidianas: a busca por uma autorização oficial, a negociação para conseguir um gerador, a poeira que cobre tudo. A ausência de cinema torna-se uma presença palpável, um fantasma que assombra cada enquadramento e cada conversa.

Mais do que um registro sobre a censura, a obra é uma análise sutil sobre a memória e o ofício. Gasmelbari investiga como a identidade de um artista sobrevive quando ele é impedido de praticar sua arte. Os quatro homens são cineastas em seu âmago, mesmo sem câmeras ou telas. Sua linguagem, suas piadas e sua visão de mundo são moldadas pelo cinema. A narrativa se desenvolve a partir da dinâmica entre eles, revelando como a paixão pela criação persiste mesmo diante da impossibilidade material. Há uma qualidade quase metafísica na sua perseverança, um eco do conceito de eterno retorno de Nietzsche, onde o ato de tentar, de repetir o esforço para reacender a luz do projetor, torna-se o próprio significado, independentemente do sucesso ou fracasso final. O filme de Gasmelbari documenta, com uma elegância despojada, o que resta quando a arte é silenciada: as histórias, as amizades e a teimosia humana em continuar falando sobre árvores, mesmo no deserto.

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Quatro cineastas sudaneses, amigos de longa data e membros do outrora vibrante Sudanese Film Club, reúnem-se com uma missão aparentemente simples: projetar um filme ao ar livre para o público de sua cidade. Ibrahim Shaddad, Suleiman Mohamed Ibrahim, Manar Al-Hilo e Eltayeb Mahdi, todos formados em escolas de cinema no exterior durante os anos dourados da sétima arte em seu país, agora enfrentam uma realidade onde os cinemas estão fechados, em ruínas ou transformados em outras coisas. O documentário de Suhaib Gasmelbari, ‘Talking About Trees’, acompanha a jornada quixotesca deste quarteto, documentando não apenas seus esforços práticos para limpar um velho auditório e consertar um projetor, mas também o labirinto burocrático e a apatia cultural que se instalaram após décadas de um regime fundamentalista que deliberadamente sufocou a expressão artística.

A força de ‘Talking About Trees’ reside na sua abordagem observacional e na sua recusa em fabricar um drama que não seja o inerente à própria situação. Gasmelbari filma seus protagonistas com um carinho evidente, capturando o humor, a camaradagem e a melancolia que permeiam suas conversas. Enquanto relembram seus filmes, suas viagens e o prestígio perdido do cinema sudanês, o filme intercala trechos de suas obras antigas, criando um diálogo constante entre um passado criativo e vibrante e um presente estagnado. A câmera pacientemente registra as frustrações cotidianas: a busca por uma autorização oficial, a negociação para conseguir um gerador, a poeira que cobre tudo. A ausência de cinema torna-se uma presença palpável, um fantasma que assombra cada enquadramento e cada conversa.

Mais do que um registro sobre a censura, a obra é uma análise sutil sobre a memória e o ofício. Gasmelbari investiga como a identidade de um artista sobrevive quando ele é impedido de praticar sua arte. Os quatro homens são cineastas em seu âmago, mesmo sem câmeras ou telas. Sua linguagem, suas piadas e sua visão de mundo são moldadas pelo cinema. A narrativa se desenvolve a partir da dinâmica entre eles, revelando como a paixão pela criação persiste mesmo diante da impossibilidade material. Há uma qualidade quase metafísica na sua perseverança, um eco do conceito de eterno retorno de Nietzsche, onde o ato de tentar, de repetir o esforço para reacender a luz do projetor, torna-se o próprio significado, independentemente do sucesso ou fracasso final. O filme de Gasmelbari documenta, com uma elegância despojada, o que resta quando a arte é silenciada: as histórias, as amizades e a teimosia humana em continuar falando sobre árvores, mesmo no deserto.

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