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Filme: “Calamari Union” (1985), Aki Kaurismäki

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Calamari Union, a obra de 1985 de Aki Kaurismäki, apresenta uma premissa tão singular quanto a filmografia do diretor finlandês. Um grupo de quinze homens, doze dos quais se chamam Frank e um deles Pekka, vivem a monotonia cinzenta de Kallio, um bairro de Helsinki. Exaustos da rotina e da falta de perspectiva, eles decidem que a única solução é fugir para Eira, um distrito mítico da cidade que, na visão deles, representa a verdadeira liberdade e a chance de recomeçar. A jornada para este paraíso urbano imaginado começa com uma energia irônica, transformando uma simples travessia da cidade numa odisseia existencial de contornos bizarros.

O que se segue é uma epopeia urbana fragmentada, onde a cada esquina um membro do grupo se desvia, desaparece ou simplesmente desiste. Seja por um cachorro, uma mulher, um banho de sauna súbito, ou a polícia, os Franks e Pekka se dispersam de maneiras tão casuais quanto definitivas. A narrativa avança com um ritmo languidamente absurdo, pontuado por diálogos secos e uma notável ausência de emoção diante das perdas. Não há lamento ou drama nas suas partidas; apenas a continuidade resignada da busca dos que restam, que se veem constantemente reduzidos em número, mas nunca em seu objetivo original, por mais nebuloso que ele se torne.

Através dessa procissão inusitada por becos e portos, Kaurismäki constrói uma análise mordaz sobre a aspiração humana e a elusividade da felicidade. O filme, uma das joias do cinema finlandês, funciona como uma meditação peculiar sobre a ideia de que a liberdade ou a plenitude são destinos geográficos, ou conceitos distantes, em vez de estados internos ou resultados de escolhas pessoais. A persistência dos poucos que seguem em frente, mesmo sem uma clareza sobre o que Eira realmente significa ou se existe tal salvação, aponta para uma reflexão sobre a necessidade humana de um ideal, por mais fútil que a sua busca possa parecer. É um estudo de caráter coletivo, mas também individual, sobre a desilusão silenciosa e a busca por um sentido, ainda que a jornada se revele mais significativa do que o (talvez inexistente) ponto de chegada. Calamari Union se destaca pelo humor inexpressivo e sua estética minimalista, que intensificam a sensação de desolação cômica.

Longe de qualquer apelo dramático, Calamari Union firma-se como um dos experimentos mais audaciosos e característicos de Kaurismäki, um precursor de seu estilo inconfundível. Ele oferece um olhar cáustico e, paradoxalmente, divertido sobre a resiliência (ou a teimosia) da alma em face do absurdo da existência urbana. Uma obra para ser digerida com paciência, que premia o espectador com uma visão única sobre o desespero velado e a esperança equivocada, tudo embalado na atmosfera melancólica e seca que se tornou a marca registrada do diretor de cinema finlandês.

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Calamari Union, a obra de 1985 de Aki Kaurismäki, apresenta uma premissa tão singular quanto a filmografia do diretor finlandês. Um grupo de quinze homens, doze dos quais se chamam Frank e um deles Pekka, vivem a monotonia cinzenta de Kallio, um bairro de Helsinki. Exaustos da rotina e da falta de perspectiva, eles decidem que a única solução é fugir para Eira, um distrito mítico da cidade que, na visão deles, representa a verdadeira liberdade e a chance de recomeçar. A jornada para este paraíso urbano imaginado começa com uma energia irônica, transformando uma simples travessia da cidade numa odisseia existencial de contornos bizarros.

O que se segue é uma epopeia urbana fragmentada, onde a cada esquina um membro do grupo se desvia, desaparece ou simplesmente desiste. Seja por um cachorro, uma mulher, um banho de sauna súbito, ou a polícia, os Franks e Pekka se dispersam de maneiras tão casuais quanto definitivas. A narrativa avança com um ritmo languidamente absurdo, pontuado por diálogos secos e uma notável ausência de emoção diante das perdas. Não há lamento ou drama nas suas partidas; apenas a continuidade resignada da busca dos que restam, que se veem constantemente reduzidos em número, mas nunca em seu objetivo original, por mais nebuloso que ele se torne.

Através dessa procissão inusitada por becos e portos, Kaurismäki constrói uma análise mordaz sobre a aspiração humana e a elusividade da felicidade. O filme, uma das joias do cinema finlandês, funciona como uma meditação peculiar sobre a ideia de que a liberdade ou a plenitude são destinos geográficos, ou conceitos distantes, em vez de estados internos ou resultados de escolhas pessoais. A persistência dos poucos que seguem em frente, mesmo sem uma clareza sobre o que Eira realmente significa ou se existe tal salvação, aponta para uma reflexão sobre a necessidade humana de um ideal, por mais fútil que a sua busca possa parecer. É um estudo de caráter coletivo, mas também individual, sobre a desilusão silenciosa e a busca por um sentido, ainda que a jornada se revele mais significativa do que o (talvez inexistente) ponto de chegada. Calamari Union se destaca pelo humor inexpressivo e sua estética minimalista, que intensificam a sensação de desolação cômica.

Longe de qualquer apelo dramático, Calamari Union firma-se como um dos experimentos mais audaciosos e característicos de Kaurismäki, um precursor de seu estilo inconfundível. Ele oferece um olhar cáustico e, paradoxalmente, divertido sobre a resiliência (ou a teimosia) da alma em face do absurdo da existência urbana. Uma obra para ser digerida com paciência, que premia o espectador com uma visão única sobre o desespero velado e a esperança equivocada, tudo embalado na atmosfera melancólica e seca que se tornou a marca registrada do diretor de cinema finlandês.

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