Cultivando arte e cultura insurgentes


Do que chamamos esse ódio?

Movimento negro acaba se cegando e caindo no ressentimento

Avatar de Hernandes Matias Junior

Twitter Instagram

Marcelle Decothé, então assessora de Anielle Franco, no Ministério da Igualdade Racial, ofendeu a torcida do São Paulo e também a todos os paulistas, ao chamá-los de “descendentes de europeus safades(sic)” e finalizar com “pior tudo de pauliste(sic)”, enquanto assistia à final da Copa do Brasil, deste time contra o Flamengo.

Menos de 48h depois, Decothé foi exonerada, dada a pressão nas redes sociais que ocasionou uma escalada da crise não apenas no Ministério da Igualdade Racial, mas em todo o Governo Lula.

Os militantes de direita acusaram Decothé de racismo e xenofobia, ao passo que os militantes de esquerda reconheceram o erro da então assessora, mas levantaram o ponto de que o que houve não foi racismo, pois, segundo eles, não existe racismo contra brancos.

Esse é um pensamento unânime e que está cravado na mente de nós, que transitamos por ambientes progressistas: não existe racismo reverso. No entanto, o próprio termo “racismo reverso” está incorreto, pois racismo não possui vetor, e ele não tem como vítima apenas pessoas negras. Indígenas e amarelos, por exemplo, frequentemente são alvos de preconceito. O racismo é o ato de desvalorizar ou valorizar um indivíduo apenas pelas suas características fenotípicas.

O que Marcelle Decothé fez foi julgar moralmente toda a população de um estado apenas por eles serem “brancos”, segundo ela. Mesmo que digam que isso não é racismo, qual o nome damos então? Se falarem que é um tipo de preconceito, chegamos à conclusão que então é um preconceito baseado na raça do outro. Portanto, acabamos chegando ao famigerado termo racismo.

Vem sendo cada vez mais comum a atitude de ravanchismo por parte de militantes do movimento negro que acaba cegando-os, fazendo com que suas lutas desaguem no puro ressentimento. Frequentemente discussões na Internet param em frases como “você é branco”, ou “tinha que ser uma branca”, como se ser branco fosse o mesmo que ser um carrasco. Um empobrecimento do debate, causado por ressentidos.

Então eu volto à pergunta, mesmo que esse ódio não seja racismo, do que podemos chamá-lo? Qual o nome dele?


Ilustração: Thanawat Sakdawisarak

Avatar de Hernandes Matias Junior

Twitter Instagram

Marcelle Decothé, então assessora de Anielle Franco, no Ministério da Igualdade Racial, ofendeu a torcida do São Paulo e também a todos os paulistas, ao chamá-los de “descendentes de europeus safades(sic)” e finalizar com “pior tudo de pauliste(sic)”, enquanto assistia à final da Copa do Brasil, deste time contra o Flamengo.

Menos de 48h depois, Decothé foi exonerada, dada a pressão nas redes sociais que ocasionou uma escalada da crise não apenas no Ministério da Igualdade Racial, mas em todo o Governo Lula.

Os militantes de direita acusaram Decothé de racismo e xenofobia, ao passo que os militantes de esquerda reconheceram o erro da então assessora, mas levantaram o ponto de que o que houve não foi racismo, pois, segundo eles, não existe racismo contra brancos.

Esse é um pensamento unânime e que está cravado na mente de nós, que transitamos por ambientes progressistas: não existe racismo reverso. No entanto, o próprio termo “racismo reverso” está incorreto, pois racismo não possui vetor, e ele não tem como vítima apenas pessoas negras. Indígenas e amarelos, por exemplo, frequentemente são alvos de preconceito. O racismo é o ato de desvalorizar ou valorizar um indivíduo apenas pelas suas características fenotípicas.

O que Marcelle Decothé fez foi julgar moralmente toda a população de um estado apenas por eles serem “brancos”, segundo ela. Mesmo que digam que isso não é racismo, qual o nome damos então? Se falarem que é um tipo de preconceito, chegamos à conclusão que então é um preconceito baseado na raça do outro. Portanto, acabamos chegando ao famigerado termo racismo.

Vem sendo cada vez mais comum a atitude de ravanchismo por parte de militantes do movimento negro que acaba cegando-os, fazendo com que suas lutas desaguem no puro ressentimento. Frequentemente discussões na Internet param em frases como “você é branco”, ou “tinha que ser uma branca”, como se ser branco fosse o mesmo que ser um carrasco. Um empobrecimento do debate, causado por ressentidos.

Então eu volto à pergunta, mesmo que esse ódio não seja racismo, do que podemos chamá-lo? Qual o nome dele?


Ilustração: Thanawat Sakdawisarak

Deixe uma resposta

Comments (

0

)

Descubra mais sobre Românticos Radicais

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading