Na era do trabalho remoto, as reuniões virtuais são como aquelas velhas festas de família: chatas, demoradas e você mal vê a hora de acabarem. Mas, diferentemente das festas, nas reuniões online, você não pode inventar uma desculpa e ir ao banheiro por meia hora. O banheiro agora é uma sala de vidro, meu caro.
O Teams, como qualquer software de videoconferência, é um mundo onde todos têm vozes, mas poucos têm noção. O “unmute” virou uma espécie de varinha mágica que transforma o mais pacato dos colegas em um orador furioso. E como não poderia deixar de ser, existe aquele sujeito que, incapaz de encontrar o botão de mutar, nos agracia com uma sinfonia de latidos, miados, ou o som mais exótico de todos: o de um aspirador de pó faminto.
Aqui estamos nós, na reunião matinal, todos de camiseta (que escondem apenas o que é preciso), cabelos desgrenhados e uma xícara de café que nos promete alguma sanidade mental. Tudo o que queremos é que o gerente-chefe desista de sua apresentação em PowerPoint sobre o aumento exponencial das vendas. Algo que, até então, achávamos impossível, mas que ele insiste em realizar via compartilhamento de tela. E assim, a sua apresentação digna de TEDx ganha vida, ao som do pequeno José tentando fazer um quebra-cabeça no fundo da sala, berrando com toda a força de seus pulmões.
Os debates, outrora entediantes, agora adquiriram uma pitada de drama. As pausas dramáticas são preenchidas por rostos congelados e expressões estranhas que tornam o momento da internet lenta um teatro absurdo. “Você pode nos ouvir?”, pergunta a gerente de marketing, enquanto sua imagem se deforma e se divide em múltiplos clones pixelados. Ela parece saída de um pesadelo digital.
Para finalizar, temos a dupla implacável de gatos que inevitavelmente invade o cenário do nosso colega. Eles têm uma agenda própria, e ela inclui destruir todos os objetos do escritório remoto e, é claro, soltar pelos por toda a casa, que rapidamente se acumulam no teclado. Enquanto ele tenta, em vão, afastá-los, percebemos que os gatos são, na verdade, a personificação de todos os nossos demônios pessoais, brincando com nossas vidas e nos lembrando que o home office é um território selvagem.
Enquanto a reunião chega ao fim, nos questionamos: quando, ou melhor, se, retornaremos ao escritório? Até lá, o caos das reuniões virtuais no Teams continuará a nos entreter, frustrar e nos fazer questionar se o uso do botão “desligar a câmera” não seria uma excelente invenção. Mas, enfim, é o preço que pagamos pela liberdade do home office.









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