Na vasta e labiríntica rede subterrânea de Buenos Aires, um evento impossível paralisa a cidade: uma composição inteira do metro, a UT-86, simplesmente desaparece. Não há sinais de colisão, descarrilamento ou qualquer falha registada. O comboio e todos os seus passageiros evaporaram-se dos carris, deixando um buraco inexplicável na malha logística da metrópole.
Enviado para encontrar uma explicação lógica para o inexplicável está Daniel Pratt, um jovem topógrafo cuja fé na precisão dos mapas e na ordem do sistema está prestes a ser desmantelada. À medida que mergulha nos túneis poeirentos e nos escritórios esquecidos da autoridade de transportes, Pratt percebe que a sua investigação não é sobre um acidente, mas sobre uma anomalia conceptual. Em vez de destroços ou indícios convencionais, ele encontra os cadernos de um predecessor enigmático, um matemático visionário que postulou uma teoria assustadora: a rede do metro tornou-se tão complexa, tão entrelaçada com novas e velhas linhas, que se dobrou sobre si mesma, criando uma fita de Moebius funcional.
O comboio não está destruído; está a viajar num plano de existência inacessível, perdido na infinita topologia que ele mesmo ajudou a criar. A busca de Pratt transforma-se de uma investigação técnica numa obsessão metafísica, levando-o a questionar a própria natureza da realidade e a ponderar o impensável: embarcar numa viagem sem retorno para validar a teoria e encontrar o comboio fantasma. O filme de Mosquera não oferece respostas fáceis, mas sim um quebra-cabeças existencial de ficção científica, que sugere que alguns sistemas, uma vez criados, adquirem uma lógica própria e arrepiante, indiferente aos seus criadores.
“Moebius” está disponível no MUBI.









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